Antes / Maternidade Real

Sonho interrompido É hora de seguir em frente. Loreta Berezutchi

7 de maio de 2013

Sonho interrompido

O aborto espontâneo interrompe a gravidez e também os sonhos mas, a gente aprende a seguir em frente.

Antes de engravidar pela primeira vez, eu nunca havia me dado conta de toda a beleza e milagre que envolve gerar um bebê.

Apesar de sempre querer ter filhos, de ter lido a respeito, assistido muitos filmes e achar tudo muito lindo e mágico a parte, digamos, “prática” da questão nunca havia me ocorrido.

Quer dizer, obviamente que eu sabia como os bebês eram feitos (cegonha, né? rs) mas, nunca tinha me atentado para o quão complexo e delicado é este processo, até que eu engravidei.

Na minha inocência, eu jurava que ficar grávida era uma coisa super simples: a barriga crescia, o bebê nascia, a gente amamentava e pronto! Sem mistérios!

Eu nunca tinha ouvido falar sobre aborto espontâneo, o único aborto que eu conhecia era aquele que é proibido, que eu assisti algumas palestras aterrorizantes na escola nas épocas de campanhas de sexo seguro.

Quando eu descobri que estava grávida, fiquei assustada e feliz e naturalmente saí contando pra todo mundo e planejando toda uma vida, todo um novo futuro, pensando em nomes, cores para o quarto, enxoval e etc…

A minha primeira gestação durou quase 3 meses, foram 11 semanas de sonhos, planos, nomes de bebês, pequenas comprinhas, expectativas…

Ao mesmo tempo que você desconhece o mistério, é engraçado como a natureza é tão sábia a ponto de te fazer entender, instintivamente, que algo não está bem. Na noite anterior ao aborto espontâneo que sofri, eu estava sentindo que alguma coisa não estava bem, não consigo explicar o que era, mas hoje eu sei que o meu corpo já sabia, e no fundo a minha alma também.

Acordei de manhã e fui trabalhar meio em estado de alerta, no meio da manhã uma dor forte e um sangramento pequeno e então, eu tive certeza, algo estava muito errado!

No hospital a notícia mais temida me acertou como uma bomba, a sensação que eu tive foi de que o mundo estava desabando abaixo dos meus pés, como se um precipício enorme estivesse se abrindo e não havia nada, nem ninguém que pudesse me segurar.

Eu me lembro da sensação de culpa, abandono, medo e fracasso que eu sentia mas, a pior de todas as coisas foi ter que lidar com o fato de não poder sofrer, de não ter direito a um luto porque, afinal, eu não havia perdido “um filho” eu havia sofrido um aborto espontâneo, que é super “normal”, ooooiiii????

Normal pra quem? Normal por que?

Eu não conseguia lidar com as pessoas me olhando e me julgando, ora com dó, ora como se eu fosse uma maluca sofrendo porque perdeu qualquer coisa sem importancia.

A falta de respeito com a minha dor  e perceber que a força de recuperação está dentro de voce, e dentro de voce apenas, foi a coisa mais difícil disto tudo.

Eu não soube lidar, eu afundei numa lama criada por mim mesma, pela pena que eu sentia de mim, pelo medo de seguir em frente sem saber por onde recomeçar, pela culpa de imaginar que talvez isso tudo estivesse acontecendo porque eu merecesse ou tivesse feito algo errado, sei lá…

No meio deste poço fundo e escuro, nenhuma voz podia me alcançar, a não ser a dele, a do pai do meu filho, daquele que apesar de também ser parte envolvida no processo e estar sofrendo tanto quanto eu, me esqueci de notá-lo.

Quando me dei conta que tudo isto não era uma coisa que havia acontecido só comigo mas, com a gente, com os nossos sonhos, eu percebi que precisava reagir, que sofrer sozinha e maldizer o mundo era egoísmo também e então, eu aceitei que ele me pegasse pela mão e me guiasse pra fora, pra um lugar onde os sonhos ainda eram possíveis.

E por que contar tudo isso agora? Nesta semana de dia das mães?

Porque todos os dias que eu olho para os meus filhos aqui comigo eu me lembro da dor, do medo, da dúvida e da gratidão por tê-los.

Porque eu sei que, quem ainda está na luta, sonhando para ter o seu tão esperado filho nos braços, sofre demais com os comerciais, filmes e todo apelo da mídia com o dia das mães.

Porque eu sei que estes filhos que ficaram conosco por tão pouco tempo na barriga, estarão pra sempre no nosso coração.

Porque eu sei que dói, eu sei como é duro a espera, eu sei como é ruim ter medo mas, eu também sei que isso passa, eu sei que a gente pode seguir em frente e sonhar um sonho todo novo e lindo.

Então, eu quero desejar, neste dia das mães, um feliz dia para estas mulheres, que apesar da dor continuam sonhando, que apesar do medo, seguem em frente, que tiram de dentro de si forças para não desistir.

Feliz dia das mães pra você, que assim como eu, tem filhos que moram pra sempre num canto especial do coração e numa estrela brilhante do céu.

 

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