Depois / Maternidade Real

A volta ao trabalho e a greve de fome Porque "só" chorar na porta da escola não tem graça! Loreta Berezutchi

28 de maio de 2013

A volta ao trabalho e a greve de fome

Por mais difícil que possa parecer, tem vezes que a gente precisa ser forte e resistir a estes olhares!

Quando eu precisei escolher entre a minha carreira e ser mãe, não foi uma escolha muito difícil. Sabe aqueles trabalhos que compensam financeiramente, mas não te realizam como pessoa? Então, o meu era assim.

Já que eu precisaria fazer um repouso, um tratamento e tudo mais, eu saí do emprego e fiquei em casa, nos primeiros meses quase pirei! Ficar em casa sem trabalhar, não ganhar o meu próprio dinheiro e esperar por uma gravidez que não vinha estava me fazendo surtar!

Quando eu finalmente consegui engravidar, nem passou pela minha cabeça voltar a trabalhar, eu iria ficar com o Pedro até ele ter pelo menos 3 anos e depois me preocuparia. Ele estava com 2 anos quando eu descobri que estava grávida de novo, foi um milagre e um susto, eu não tinha projetado a minha vida para ter 2 filhos, passei os 3 primeiros meses chorando, perdida, depois vomitando e por volta dos 6 meses eu comecei a curtir a chegada da Catarina.

Tantas coisas aconteceram na minha vida neste período, mudamos para o Recife e eu tive certeza que ficaria cada vez mais difícil de voltar a trabalhar, e quando eu pensava sobre isso, eu tinha certeza que não queria voltar a trabalhar neste mesmo esquema de “só pelo dinheiro” eu queria alguma coisa que me realizasse, que valesse a pena deixar os meus filhos para ir, sabe?

Bom, voltamos pra São Paulo, as crianças maiores e eu até recebi umas propostas de emprego, recusei todas porque na hora de pesar tinha sempre esta questão: vale a pena deixar as crianças na escola por isso?

Então, quando eu já tinha desistido de algum dia voltar a trabalhar, e principalmente trabalhar com alguma coisa que eu adorasse fazer eu recebi o convite para trabalhar aqui, na Rede Mulher&Mãe. É como juntar duas coisas que são o ar que eu respiro: maternidade e informação.

Apesar da felicidade de estar aqui, trabalhando com o que amo eu precisava ajeitar as coisas em casa, o Pedro já ia pra escola, mas a Cacá ainda ficava comigo a tarde toda, ela está com 3 anos e o plano era colocá-la só no ano que vem.

Consegui acertar tudo para ela estudar na mesma escola e horário do Pedro, contei pra ela que ela estudaria com o irmão e ela ficou bem feliz, eu achei que tudo ia correr super bem, sem traumas de adaptação e choradeira na porta da escola porém, a pequena não curtiu muito ficar sem a mãe.

Nos 2 primeiros dias ela foi super tranquila, nos dias seguintes já não queria mais entrar, daí aquele chororô, aquela chantagem emocional que judia do coração da gente! Eu conversava, a professora vinha buscá-la no portão, mas ela ia chorando, num drama muito digno de Oscar.

A diferença é que, quando você coloca um filho na escola pela primeira vez e não precisa ir trabalhar, pode ficar ali no banquinho da escola á postos para o caso dele estar chorando muito é uma coisa, quando você precisa deixar a criança e sair correndo pra trabalhar é outra, que eu nunca tinha enfrentado antes.

Eu deixava, ela chorava, eu chorava, me perguntava se havia feito a escolha certa, se não era melhor voltar a ser tudo como era antes, pra que “mexer no que tá quieto”, né? Resolvi ser corajosa afinal, uma hora isto teria que acontecer, ela teria que entrar na escola e não fazia sentido ficar adiando e perder uma oportunidade de trabalho tão bacana pra mim.

Quando a Cacá percebeu que não iria me vencer pelo choro, ela começou a fazer greve de fome! Isto mesmo minha gente, greve de fome! Com apenas 3 anos, a minha caçula é uma rebelde que sabe muito bem protestar pelos seus direitos e desejos!

Todos os dias a lancheira voltava cheinha e um recado da professora na agenda dizendo que ela se recusou a comer porque disse que só comeria com a mãe dela! Como lidar??

Decidi que não cairia na chantagem dela, avisei que se ela não comesse o problema era dela que ficaria com fome então, ela rapidamente percebeu que, como eu não via ela não comer eu não sofria tanto então, mudou de estratégia, passou a não comer em casa também!

Não queria almoçar, não queria jantar, só queria a mamadeira de manhã e passava o dia todinho com fome, óbvio que eu quase morri! É de doer o coração ver uma coisinha tão pequena destas lutando assim e eu precisando resistir, mas eu fui forte! Ela fez isto por 2 dias, no terceiro mudou de idéia, voltou a almoçar, tomava pelo menos o suco na escola, e chorava pra entrar.

Com 2 semanas nesta rebeldia eu já estava sem recursos, resolvi fazer o que eu sei, mesmo sem ter a certeza de que seria o melhor para uma criança de 3 anos, chamei ela pra uma conversa SÉRIA (ooii??), perguntei o que estava ruim na escola, por que ela não queria ir e então, por mais estranho que isto possa parecer, negociamos e ela está indo pra escola feliz da vida todos os dias! Ufa!

Eu sempre penso que a maternidade é como uma luta diária, cada dia tem uma coisa nova pra gente enfrentar, quando você acha que já está dominando o assunto, aparece uma coisa nova e daí, bora rebolar pra segurar a onda! Agora estamos todos felizes, ela na escola, eu no trabalho, a segunda parte é: como arrumar a casa e lavar a roupa? De onde se tira tempo pra tudo isso?

Se alguém souber onde a gente manda fazer clone da gente, por favor passe o contato! rs

 

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