De mãe para mãe / Depois

Dia da criança: das pequenas e das que moram na gente Vamos celebrar esse dia de um jeito diferente Milene Massucato

7 de outubro de 2013

Dia da criança: das pequenas e das que moram na gente

É dia de se permitir, de viver com mais leveza, de ser criança novamente!

Se eu fosse criança de novo, estaria ansiosa pelo dia 12 de outubro (Dia da Criança).

Saberia que iria ganhar presentes dos pais, dos tios, dos avós, dos padrinhos.

Talvez fizesse um passeio em família ou fosse apenas me juntar a meus primos na casa da vó. Mas com certeza seria um dia de diversão.

Lembro-me claramente de alguns aniversários, de alguns natais, mas, nem forçando a memória, eu consigo me recordar de algum Dia das Crianças.

Deve ser porque não há fotos deste dia no álbum de família, daí fica difícil da cabeça ter que fazer todo um resgate de memória sem nenhum estímulo.

Forçando um pouco, consigo me lembrar de parquinhos, algodão-doce, bexigas, mãos sujas de doce e areia… Mas não tenho certeza se isso está relacionado ao Dia das Crianças.

Vamos combinar que a data é puramente comercial. A ação foi criada por uma famosa empresa de higiene junto com uma grande fábrica de brinquedos. Era para vender mais mesmo, e não tinha nada a ver com os direitos universais da criança, com a benção da Nossa Senhora Aparecida ou a descoberta da América. O negócio deu supercerto, as vendas de brinquedos dispararam na semana do Bebê Robusto, e nos anos seguintes um monte de empresas entraram na onda.

Não tem nada de importante, não tem nenhuma mensagem implícita.

Deve ser por isso que eu não me lembro. Porque ser criança não é nada importante. É só uma criança e ponto. Um dia a gente cresce e vira alguém na vida (?). Um dia a gente cresce e fica chato, ranzinza, cheio de regras e nãos.

Eu já me decidi: quero celebrar com meus pequenos a grandeza da infância, do brincar, da falta do peso das responsabilidades arqueando as costas. Dia 12 será um dia em que as crianças vão mandar: não vai ter hora para nada, vamos comer o que tivermos vontade, vamos brincar até cansar.

E eu vou me permitir ser criança por algumas horas.

Mas vou registrar tudo em foto. Para que um dia a memória de meus filhos seja estimulada a lembrar desse dia: o dia em que a mãe virou criança de novo.

Talvez todo esse planejamento adulto para um dia sem programação definida não dê certo. Talvez o meu papel de mãe tenha que rasgar a cena de criança para por ordem na bagunça, ou evitar acidentes. É inevitável. Depois que a gente vira adulto, a gente não consegue ser mais criança por muito tempo.

Mas eu vou tentar, pela infância dos meus filhos. Pela criança que mora em mim.

autor_milene.jpg

Milene é CEO em atividades materno-domésticas (do lar, não!), já que achou a maternidade mais legal do que todos os ofícios que já teve: de psicopedagoga a revisora de textos. Acha seu nome bonito, mas também atende por diiirce, pseudônimo que dá nome a seu blog, o www.diiirce.com.br.

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