De mãe para mãe / Depois

Dois filhos, duas medidas Os filhos são diferentes, a mãe é uma só! E agora? Loreta Berezutchi

30 de abril de 2013

Dois filhos, duas medidas

Ter irmãos é uma delícia, ser mãe de dois é alegria em dobro, e duvidas também!

Quem é mãe de mais de um, certamente já passou por esta situação: você sai pra comprar uma coisa que um precisa e pensa “Ah, não posso voltar pra casa sem nada para o outro, né?” Daí, vai lá e compra alguma coisa, que o outro nem precisava, só para não ver triste o filho que não “ganhou” nada.

Isso se aplica a praticamente tudo na vida de irmãos: compras, comida, brinquedos, passeios…

A cena é clássica e estes dias me peguei pensando: precisa mesmo ser sempre igual?

Não faz nenhum sentido você sair para comprar uma coisa que um PRECISA e acabar trazendo para o que NÃO PRECISA também ,então, por que a gente tem esta idéia fixa de que precisa amar, cuidar, dividir, brincar, alimentar, proteger e etc os dois (ou mais) filhos igualmente? Me parece injusto com a mãe e com os filhos!

Por outro lado, será que padronizar a forma de lidar com os filhos não facilita a vida da mãe? Será que, por causa disto, sentimos culpa? Porque sabemos que no fundo estamos fazendo igual porque é mais fácil e não porque queremos garantir a justiça e a igualdade, será?

Na prática o que acontece é bem simples: é muito mais fácil comprar logo uma coisa pra cada, do que lidar com o choro do filho que ficou sem ou ter que explicar o porquê de ele ter ficado sem.

Calma, eu não estou aqui dizendo que fazemos isso porque somos péssimas mães, fazemos isso porque no dia a dia da rotina materna, estamos tão cansadas que ligamos o automático e daí só reparamos o que estamos fazendo quando alguma coisa dá um alarme, como aconteceu comigo esta semana.

Fui comprar uma chuteira para o Pedro, ele precisava de uma chuteira porque faz aulas de futebol. Entrei em várias lojas até achar a chuteira que ele queria, comprei a bendita e voltei para casa, no caminho pensei: “Ai caramba, não comprei nada para a Cacá!”. Continuei o caminho pensando no choro, no estresse que seria explicar pra ela o motivo pelo qual Pedro ganhou um “presente” e ela não.

No meio deste pensamento me ocorreu um:  “Peraí, eu não estou comprando um “presente” estou suprindo uma necessidade que só o Pedro tem”. Por que eu deveria levar algo para a Cacá se ela não precisa de nada no momento? Apenas para não ter que lidar com a frustração dela?

Cheguei em casa pronta para o “combate”, teria que explicar para a minha pequena os “porquês” de não ter nada pra ela. Entreguei a caixa da chuteira pro Pedro que abriu e ficou eufórico acompanhado de perto pela Cacá que então, perguntou: “E pra mim mãe?”

Respirei fundo, fiz uma cara de normalidade e sabedoria e comecei a explicar: “Filha, você não precisa de chuteira, a mamãe comprou só para o Pedro porque…” não consegui terminar a frase quando ela olhou pra mim e disse: – “Ah, é verdade, só o Pedro que joga “chutibol” né, mamãe? Eu não preciso!”

Dois minutos para recolher o meu queixo do chão…

A maternidade tem umas coisas bem engraçadas, normalmente a gente já sabe o que fazer, é instintivo mas, acabamos por deixar que a rotina, a correria e tudo mais nos influencie e então, coisas que são tão simples acabam se tornando muito maiores.

É natural que você defenda e faça mais coisas para o filho menor, ele é o menor e realmente precisa da sua ajuda mais do que o mais velho, é normal que o mais velho colabore mais com você, ele já te entende melhor e passou pelas fases que o mais novo está passando.

O Pedro adora frutas, Cacá não é muito fã, a Cacá adora arroz e feijão, o Pedro prefere macarrão e assim por diante, eles são pessoas diferentes, diferenças que não estão relacionadas apenas ao gênero mas, as suas personalidades, qualidades e defeitos.

Mesmo os gêmeos idênticos são pessoas, em essência, diferentes. Logo, não há como, e não é preciso, tratar os filhos de forma igual aliás, desconfio que tratá-los de acordo com suas diferenças é demonstrar respeito e amor por suas individualidades.

Então, se voce é mãe de mais de um, assim como eu, mantra comigo: Eu não preciso me culpar por não tratar meus filhos igual, eu não preciso me culpar por não tratar meus filhos igual…

 

 

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