Depois / Maternidade Real

O dia em que apanhei da filha Um supermercado, um carrinho e o início de uma guerra Carol Baggio

29 de maio de 2013

O dia em que apanhei da filha

Quem aí duvida que exista o "terrible two"?

Parecia que seria mais um dia comum e feliz em nossas vidas. Fomos a uma livraria acompanhar uma contação de histórias. Muitas crianças juntas, música, palmas, tudo tranquilo. Depois de brincar bastante, estava na hora da filha comer. Como a livraria ficava num shopping, resolvemos ir até a praça de alimentação. Que ótimo que é ver a pequena comendo uma bela pratada de salada de fruta! Bem, já estava na hora de ir embora, mas como o shopping também tinha um supermercado, a mamãe aqui aproveitou para comprar pão, leite e frios. Coisa rápida, mesmo. Tudo ia muito bem, até que minha filha avistou um daqueles carrinhos que têm um carrinho infantil embaixo, sabe? Outra mãe (sortuda) fazia suas compras empurrando o filho, que brincava de dirigir no carrinho colorido. Foi aí que meu mundo começou a desabar.

“Moço, tem outro carrinho daquele ali?”, perguntei, enquanto ouvia os berros da minha filha clamando pelo tal meio de transporte e fingia que não era comigo. “Senhora, temos 3 na loja, mas eles estão em uso”. A resposta praticamente desencadeou a luta que viria a seguir.

“Eu quelôôô!!!”, ela gritava. Eu, com muito esforço, tentava conter o pequeno corpo, que àquela altura parecia uma minhoca elétrica desgovernada, de tanto que se sacudia no meu colo. “Melhor sair daqui”, pensei, acreditando que com isso resolveria a questão – longe dos olhos, longe do coração, né? No elevador até o piso do estacionamento do carro, a menina não poupou nem quem dividia o metro quadrado de aço. Enquanto ela berrava, eu sorria amarelo e fingia que tinha o domínio da situação. Quando a porta abriu no E3, por um segundo achei ter chegado no paraíso. Ou melhor, por um milésimo de segundo. A menina continuava gritando, se contorcendo, e, pior, começou a me bater, já que eu continuava minha tentativa de contê-la. “Calma, calma”, eu dizia – em vão. “Eu quelôôô o carrinho”, ela repetia tipo “disco riscado” (eita expressão de gente velha, né?).

O que se seguiu, foram momentos fortes. Tirem as crianças da sala. Já com os braços doendo, coloquei a menina no chão. Ela começou a se arrastar gritando e limpando a sujeira do piso do estacionamento. Respirei fundo e olhei a distância que faltava para chegar no carro. Peguei de novo a filha no colo, que ficou ainda mais brava de sair do chão e começou a chutar e esmurrar. Eu, num estilo Matrix, fui desviando de todos os golpes. Mas quando um carro buzinou, perdi a concentração e páááá. Quase perdi a consciência, mas mãe sozinha com filha que dá escândalo não tem esse direito, e logo me recompus. Meio tonta, coloquei a menina de novo no chão, que deitou e recomeçou seu momento mop. Foi nessa abaixada que percebi o estrago: sangue no chão. Meu Deus!!! Levei a mão à boca e entendi: depois de uma verdadeira batalha, tomei um soco que cortou meu lábio. E de uma menina de 2 anos.

Depois disso, ainda levei uma meia-hora para sair do shopping. Foi tão difícil colocar a menina no carro que guardas começaram a me rondar. Faltou pouco pra alguém pedir a certidão de nascimento pra comprovar a maternidade. Eu estava exausta. A filha, exaurida. Na curva da primeira esquina depois que saímos do shopping, ela dormiu. Eu segui dirigindo até em casa, com a boca inchada.

Agora, eu me pergunto: por que, meu Deus, os supermercados têm tão poucos carrinhos para crianças?!?!?!

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