Depois / Maternidade Real

Pai ausente: como viver longe dos filhos? Ter um pai ausente faz com que a criança não crie laços de convivência Carol Baggio

8 de agosto de 2013

Pai ausente: como viver longe dos filhos?

A distância entre pai e filho faz com que crianças não criem laços de convivência com a figura paterna

Não deve ser fácil não estar presente todos os dias na vida dos filhos (pelo menos enquanto são pequenos). Digo isso porque vejo muito pai ausente do dia a dia das crianças – sem julgar os motivos, cada caso é um caso –, mas não deixa de ser uma pena não estar ali acompanhando o crescimento, as descobertas e delícias da convivência diária.

Por aqui, o pai da Nina é um “ausente presente” (ou vice-versa, rs). Explico: o André é do tipo paizão, que sempre foi cooperativo nos afazeres diários com a pequena (banho, comida, trocar de roupa, escovar dentes, colocar pra dormir…) e que a carrega pra todo lado – padaria, supermercado, parque, circo. Mas, por causa do trabalho, tem uma rotina muito pouco constante, com horários malucos e muitas viagens (de muitos dias fora, inclusive). Daí é presente, quando não está ausente, entendem?

Confesso que não sei como ele lida com essa “distância” (na verdade sei, ele fica morreeeendo de saudades, sempre reclama disso). Desde que a Nina nasceu (há quase 3 anos), eu nunca consegui dormir uma noite longe dela. Até já tentei, mas não aguento ficar sem sentir o cheirinho da pequena bem pertinho – ou, saber que ela está dormindo tranquila no quarto ao lado. Tem quem me ache um pouco exagerada, mas eu não ligo: sigo feliz desse jeito e não tem nada que eu pudesse estar fazendo que me dê mais prazer do que estar perto da minha filha – e disponível, pra quando ela chama “Caloina” durante a madrugada.

A Nina, por sua vez, também sente bastante a ausência do pai. Quando ela era menor, me parecia que levava mais na boa. Agora, que já entende mais as coisas, tem dias que chora por ele, ou dias que liga pra ‘conversar’. Outro dia eu comentei que o pai estava num jogo (ele é repórter de esporte) e ela emendou um “ele está no gol?”, que morremos de rir. Vira e mexe eu espero passar uma matéria dele na TV pra mostrar pra ela, que às vezes presta atenção e às vezes nem liga (momento #mimimi: quem fica mais cansada da ausência do pai sou eu, que acabo fazendo malabarismo pra dar conta de toda a demanda sozinha).

Acontece que a falta da figura paterna vai muito além de uma ‘simples ausência’. Há pesquisas que indicam que crianças que crescem sem o convívio dos pais, ainda pequenos, podem ter sobrepeso e desenvolver doenças (somatizando essa ausência). Também podem ter transtornos psicológicos na vida adulta. Em nível mais profundo, tudo isso pode gerar tristes consequências na formação dos indivíduos… Abre parênteses: tem pai que está pertinho e consegue proporcionar os mesmos efeitos negativos nos filhos – vontade de chorar agora. Fecha parênteses.

Enfim, aqui em casa a questão da ausência é circunstancial. Infelizmente, por motivos muito diferentes, tem pai ausente ‘de verdade’, que não vivencia a dádiva que é conviver e crescer com uma criança por perto. E pior: muitas vezes, a distância existe apesar de dividir o mesmo teto – quem aí tem marido que praticamente não brinca ou interage com as crianças?! Uma pena. Pessoalmente, me dói o coração pensar em crianças que crescem sem o contato com os pais, uma injustiça com seres indefesos que só precisam de afeto. Quando penso nisso, só me vem à cabeça a frase de intervenção urbana que vemos pelas ruas de São Paulo: “mais amor, por favor”.

carol_interna

Jornalista de Campinas que, apesar de morar desde 2002 em São Paulo, continua puxando o erre. Carol vive de dieta e adora protetor solar com base. Libriana, acha que é uma pessoa um pouco indecisa, talvez. “Amasiada” com o André, mãe da Nina e autora do blog Nina Ensina.

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