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Sua vida diferente: com filhos e sem internet E se não existisse internet, você seria uma mãe diferente? Milene Massucato

11 de novembro de 2013

Sua vida diferente: com filhos e sem internet

Os bebês de hoje usam nossos tablets melhor do que nós mesmas.

É quase impossível imaginar a vida sem a interferência da tecnologia, principalmente da internet. Sem ela, quase nada funciona. Sem ela, nosso dia a dia seria bem diferente. As relações entre as pessoas seriam outras. Seu amigo de primário faria parte apenas da sua lembrança e das suas fotos, haveria muito mais contas a serem pagas com juros, conversaríamos mais pessoalmente ou pelo menos ouviríamos mais as vozes das pessoas pelo telefone. A comunicação em si, seria mais personalizada: pela internet a letra de todo mundo é igual, as reações são padronizadas, as opiniões se limitam a curtir ou não alguma coisa.

Imaginando esse mundo desconectado, penso em como seria a maternidade offline: sem smartphones e seus aplicativos que traduzem a gestação dia por dia, sem as câmeras que captam cada inspiração dos bebês em seus berços, sem consultas ao pediatra que nunca dorme, nunca descansa, mas sempre nos desespera, o doutor Google.

Longe dessa conectividade, daríamos mais valor aos pitacos das mães, das avós, das tias, uma vez que com os grupos e os fóruns de mães que surgiram com as redes sociais, passamos a acreditar mais numa pessoa que nunca vimos na vida do que nas nossas próprias mães.

Sem as consultas ao Google, será que nossos bebês teriam mais ou menos cólicas? Com o que nossas crianças brincariam, sem essa avalanche de aplicativos, jogos e vídeos direcionados ao público infantil? Será que passaríamos nosso tempo livre brincando e passeando com as crianças, em vez de ficarmos pendurados numa rede social, ou teríamos outros afazeres de adultos?

Escolher o nome de um filho seria mais simples tendo menos opções.

Um chazinho de camomila voltaria a acalmar nossas crias.

A busca pela maternidade perfeita seria menos agressiva sem essa exposição de nossos atributos como mães pela internet.

Nossos filhos saberiam se comportar num restaurante, sem ter que afundar suas carinhas num tablet enquanto comem.

Por outro lado, as mães se sentiriam mais solitárias, o modelo de educação seria o mesmo de nossos avós e perderíamos tempo fazendo coisas que hoje resolvemos num piscar de olhos, como descobrir o horário de funcionamento de um parque, consultar o telefone de um pediatra ou buscar uma receita de chocolate com beterraba. Sem sombra de dúvidas, a internet trouxe uma série de estímulos para as famílias: aprendemos a aplicar shantala nos bebês, nossos filhos têm contato com diversos idiomas, podemos estar presentes o tempo todo na vida dos amigos e familiares, mesmo que do outro lado do mundo.

Todas essas vantagens de estar online e inúmeras outras facilitaram a rotina das pessoas num modo geral, mas a nossa geração parece estar deslumbrada com essa conectividade. Estamos empolgados demais com essa tecnologia, vidrados nela. Mas, com toda certeza, nossos filhos darão outro valor a essa rede:  não como algo mágico e revolucionário, mas como um meio de comunicação ordinário e indispensável, como hoje é a eletricidade.

 

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Milene é CEO em atividades materno-domésticas (do lar, não!), já que achou a maternidade mais legal do que todos os ofícios que já teve: de psicopedagoga a revisora de textos. Acha seu nome bonito, mas também atende por diiirce, pseudônimo que dá nome a seu blog, o www.diiirce.com.br.

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  • Silma Matos

    Com certeza seria diferente, eu demorei a usar a internet, hoje ela faz parte da minha realidade, mas só depois que comecei a participar ativamente foi que vi o quanto tem coisas na blogosfera materna ou na maternagem.
    Bjs


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