Durante / Maternidade Real

O Renascimento do parto e a violência obstétrica Entre a dignidade e a falta de acolhimento no parir Carol Baggio

19 de setembro de 2013

O Renascimento do parto e a violência obstétrica

O documentário "O Renascimento do Parto" é um tapa na cara do sistema que privilegia operações agendadas sem necessidade.

Eu sempre achei que a cesárea é uma das grandes invenções da medicina mundial e depois de assistir ao documentário “O Renascimento do Parto” (de Érica de Paula e Eduardo Chauvet), não me restam dúvidas sobre isso. Sim, a operação que corta várias camadas de pele da barriga da mulher é mesmo impressionante – por isso ser considerada uma operação abdominal de grande porte – e pode salvar a vida de um bebê ou da mãe (ou de ambos, dependendo do caso). Mas daí a achar que a cesárea é sempre o melhor jeito de um bebê nascer…

E antes que me atirem pedras, eu assumo que, olhando pra trás, me sinto enganada pelo obstetra que fez o parto da Nina. Ele, cheio de verdade em seu consultório, me colocou em posição inferior diante de explicações fundamentais para a escolha do parto. E sabe o que eu acho? Que ele trabalha para satisfazer seus próprios interesses e agendas. Ele me empurrou uma cesárea goela abaixo, para não desmarcar nenhum atendimento em sua sala com ar condicionado (tô rebelde, eu sei). Acontece que o nascimento de um bebê merece muito mais dignidade do que se oferece em cesáreas eletivas. E nós, mulheres, merecemos muito mais que sermos acuadas  pelo medo da dor e por falsos motivos pra uma operação – muitas vezes, desnecessária.

Eu penso que as cesáreas marcadas por conveniência sejam um “modus operandi” bem difícil de ser quebrado, porque tem muita coisa em jogo. Exige uma mudança de mentalidade sobre o nascer, sobre nossas prioridades, sobre o que queremos de nossas vidas e para nossos filhos. É também uma luta contra os planos de convênios médicos e grandes hospitais, que preferem descaradamente atender a pacientes agendados. Claro que há esperança: o próprio filme “O Renascimento do Parto” foi financiado por crowdfuding, um sistema em que qualquer pessoa podia doar quantias para a finalização da película – e, pasmem, o projeto bateu o recorde brasileiro de financiamento coletivo! Ou seja, tem muita gente engajada no movimento a favor do nascer com condições respeitosas.

E eu não estou aqui me posicionando ~ só ~ contra a cesárea eletiva, viu? A violência obstétrica brasileira vai muito além e é muito mais cruel. Ela acontece inclusive em partos normais, quando a mulher  é tratada como um objeto. Quando falta sensibilidade e sobram palavras chulas, incompreensão e falta de acolhimento, principalmente nos corredores de hospitais públicos. A fotógrafa Carla Raiter, especializada em fotografias (lindas!) de parto, tem um projeto chamado 1:4, onde revela que uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto no Brasil. As frases que ilustram o projeto nos desconcertam e as fotos, em alguns casos cicatrizes que doem na alma, são chocantes.

Quem viu “O Renascimento do Parto” entende do que estou falando. Quem chorou muito quando descobriu que o motivo de cesárea dado pelo médico não era necessariamente a justificativa para uma operação, também entende. E quem se culpou por não ter buscado informação suficiente para não se deixar enganar… Estamos juntas! Eu me encaixo nas três situações e hoje, muito mais atenta ao que envolve o nascimento de um bebê, já me sinto uma nova mãe. Agora, entrando no nono mês de gestação do meu segundo filho, tenho segurança que, por ter procurado uma equipe humanizada, se tiver que passar por uma nova cesariana será por uma real necessidade – e não para que meu parto não atrapalhe a agenda do médico.

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Jornalista de Campinas que, apesar de morar desde 2002 em São Paulo, continua puxando o erre. Carol Baggio vive de dieta e adora protetor solar com base. Libriana, acha que é uma pessoa um pouco indecisa, talvez. “Amasiada” com o André, mãe da Nina e autora do blog Nina Ensina.

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  • Silma Matos

    Desejo que vc consiga ter o seu parto da forma como realmente sonha. Falta sim muito respeito, quem sabe com o tempo conseguiremos menas histórias tristes desse momento tão mágico que é o nascimento de um filho.Adorei o teu post, limpo e perfeito.
    Bjs

    • Nina ensina…

      Querida Silma, obrigada. Sei que Bento virá do jeito que for melhor pra ele. Como falei, desta vez estou com uma equipe que vai respeitá-lo, seja como for a via de parto, e isso já me deixa muito tranquila. Que venha com saúde e bem, pois é isso que qualquer mãe sempre espera do nascimento do filho! Beijos


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