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Um papo honesto sobre filhos e relacionamento Aliás, bem honesto ;) Mulher & Mãe

28 de outubro de 2013

Um papo honesto sobre filhos e relacionamento

Como separar o seio erótico do seio que alimenta?

Por que algumas mulheres enjoam do cheiro de seus companheiros? Por que alguns pais se sentem excluídos do processo dos cuidados com o bebê? Por que as cobranças entre os casais despontam tão fortemente? E por que fica tão difícil se relacionar novamente de maneira natural e saudável?

Para responder essas e outras questões, conversamos com a Ramy Arany, que além de mulher e mãe, é terapeuta e orientadora de grupos de gestantes. Durante o desenvolvimento desta pauta, ela fez um convite irrecusável: “deixar a natureza agir”, e temos certeza, que assim como nós, você se sentirá mais segura e tranquila ao ler tudo o que ela contou aqui sobre filhos e relacionamento.

Sobre mulheres que enjoam do cheiro de seus companheiros…

É comum algumas mulheres desenvolverem esse tipo de reação em relação aos seus companheiros durante a gestação. Isso se dá devido a alguns fatores que interferem no comportamento das mulheres grávidas. Um deles é a mudança hormonal. Nesse período, aqueles hormônios femininos que dão condições para que a gestação se sustente e tenha força estão exacerbados. Todo o corpo da mulher está gravido, bem como seus sentimentos, emoções, pensamentos, consciência, amor etc. O comportamento, então, sofre profundas transformações, já que toda a natureza da mulher está voltada para o bebê. O que sempre oriento é que as mulheres que “enjoam” de seus companheiros quando grávidas não se sintam culpadas nem tampouco preocupadas, achando que não amam mais seus companheiros. Tudo isso faz parte deste ciclo e cada mulher reage de forma diferente à revolução hormonal. Tudo passa e tudo volta ao normal após o nascimento. É preciso entender que a chegada da criança significa gestação, parto, pós-parto e ajuste da amamentação.

Sobre os pais que se sentem excluídos…

Em algum momento, tudo volta ao normal. É preciso ter paciência consigo mesma, com o bebê e com o companheiro, que não passa pela intensidade de emoções que a maternidade propicia para a mulher. O pai também sofre as transformações e seus impactos, porém sem a questão hormonal. Após o nascimento, a mulher está preenchida pelo amor maternal, que é completamente diferente do amor homem-mulher. A mãe está voltada aos cuidados do bebê até de forma instintiva, pois o cuidar e nutrir são naturais, ou seja, são da natureza da mãe.
Quando o casal é unido, normalmente, há um maior compartilhamento dos sentimentos, das ideias e também das dificuldades. Casais que são mais harmônicos costumam conversar para resolverem suas dificuldades. E é aí que as questões pertinentes a este momento tão intenso, que é o nascimento de um filho, podem ser resolvidas no amor e na paz. Hoje, os homens também são bem participativos e muito mais companheiros. São muito mais informados do que antes. O amor, a união e a cumplicidade são a base que sustenta a relação neste período de ajuste entre os papéis.

Sobre as cobranças que acontecem entre o casal…

 Os caminhos da união são a cumplicidade e o amor. É importante que cada um tenha seu espaço para falar sobre seus sentimentos, carências e necessidades. É fundamental também que estabeleçam seus espaços nesta relação pais-filhos. Nunca discuta na frente das crianças e lembre-se que a relação é uma contínua construção; que o amor se transforma ao longo do tempo e que a verdadeira parceria se sustenta na harmonia.

Sobre o estranhamento do corpo e a autoestima…

A imagem é muito importante para as mulheres. Porém, a autoimagem é o que determina tudo, pois também é parceira da autoestima. Durante a gravidez, o corpo se transforma para dar a vida a um ser. Não há coisa mais sagrada e importante na vida de uma mulher (que escolhe ser mãe) que conseguir gestar, dar a luz ao seu filho e também amamentar. Porém, é necessário que ela se desapegue da vaidade exagerada do corpo e pense na saúde. Hoje, há toda uma sabedoria da educação alimentar durante a gestação, para que, passado o nascimento, a mulher possa conquistar com mais facilidade o peso e a forma. Contudo, penso ser importante que ela se dê o direito de gestar em paz, ter seu filho e dar o tempo necessário para o corpo retornar. Cuidar de si, da beleza e da saúde são passos fundamentais para tudo na nossa existência. A pressão externa causa a pressão interna, que acaba desequilibrando tudo neste período. Se esse for o seu caso, peça ajuda a um profissional responsável, que auxiliará você a não se ver somente como uma linda barriga de “tanquinho”, somos muito mais do que isso.

Sobre o seio erótico e sagrado…

Quando o casal é unido e cúmplice, o companheiro desconstrói a visão mais erótica dos seios durante a amamentação. Com isso, a mulher também se sente mais livre para viver seu momento de amamentar o filho com total presença, sem cobranças, sem comentários insinuantes da outra parte. A conscientização masculina em relação a isso é essencial, para que os homens também se preparem para atravessar este período na liberdade e na consciência natural da mudança de visão, ou seja, deixar de ver os seios como parte da sensualidade e do prazer sexual, e construir a visão mais bela e pura ao ver seu filho sendo amamentado. Tudo dependerá da consciência, dos valores e das crenças existentes em cada um. Na amamentação é a vez do bebê ganhar espaço, pois ele é o mais importante nesse contexto.

Sobre o resgate da vida sexual…

Sem dúvida, a maternidade é um grande projeto de vida, pois marca transformações. Assim, é natural que haja cansaço, pois a dedicação da mulher ao bebê é total. Até passarem os primeiros tempos, até o pequeno ajustar o sono, principalmente o noturno, há um período de muito esgotamento físico e também psíquico. O homem também passa por isso, já que muitos revezam com suas companheiras os cuidados com o bebê. Penso que o retorno à vida sexual também deve ser resultado natural do amor, do carinho e da construção do casal. Se há uma harmonia, ambos devem conversar abertamente sobre isso e com certeza saberão compreender um ao outro. O homem saberá compreender sua companheira e ter maior paciência. A mulher, com isso, se sentirá compreendida e até mais disposta ao relacionamento sexual. A cobrança e a autocobrança afastarão o casal, pois geram conflitos externos e internos.

Sobre a cama compartilhada…

Todos os estudos apontam questões desfavoráveis em relação ao hábito de crianças dormirem na cama dos pais. Isso prejudica tanto o casal quanto os próprios filhos, pois eles aprendem a não respeitar o espaço do pai e da mãe, tampouco a intimidade. Nas crianças, isso também causa uma confusão, pois pensam que todos os espaços (não somente físicos) são de domínio deles. Dessa forma, o casal fica sem privacidade e a mercê de uma “invasão” permitida. Pais que procedem assim com suas crias acabam por limitar suas oportunidades de se relacionar intimamente. Quando praticado em casa, o ato sexual fica muito mais “mecânico” do que vivencial, além da preocupação de não deixar os pequenos perceberem. Se for fora de casa, sempre dependerão de um dia marcado, de hora marcada, enfim, nada, nada, natural. Não sou a favor dos filhos dormirem na cama do pai e da mãe, sempre oriento que ensinem a eles que o quarto dos pais é só dos adultos e que os filhos têm seus próprios espaços e camas. Aqui, não estou falando da falta de condição de pessoas que não têm recursos para tal.

Sobre o retorno…

Estar bem consigo mesma, se respeitar, se dar ao direito de ter seu tempo e seu espaço para gestar e cuidar do seu bebê com paz e harmonia, confiar na relação e no companheiro, conversar abertamente sobre suas dificuldades e necessidades, acolher o parceiro da mesma forma, cultivar o amor por si mesma e a escolha de ser feliz são passos para o autorreconhecimento, uma autoestima positiva e uma autoimagem maravilhosa. Sem dúvida, esses passos não são mágicos e precisam ser construídos. Esse é um caminho para o resgate e o retorno a um relacionamento harmônico.

Agora você se sente mais acolhida e preparada?

Um beijo grande.

 

 

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